Meu filho está fumando maconha! E agora?

Rosto surpresa

Quando os pais descobrem que o filho adolescente está fumando maconha acontece aquela sensação de estar no escuro, sem saber o que está acontecendo e sem saber o que fazer.

Normalmente, o uso de drogas do filho é descoberto de duas formas: alguém conta para eles que o filho está fumando e/ou os pais encontram a droga nas coisas do filho. Pistas mais sutis como mudanças de comportamento e de amizades normalmente são negadas, pois isso é algo que os pais nunca querem ver.

Quando não restam dúvidas quanto ao consumo do filho, acontece o primeiro confronto. Neste confronto, a reação mais comum do filho usuário é minimizar e negar o problema.

“Não é meu, só estava guardando para um amigo”. “Experimentei só uma vez, mas já parei”. “Só fumo de vez em quando. Não precisam se preocupar, porque maconha é natural”. Às vezes o adolescente se supera na tentativa de racionalizar com algo do tipo “eu já parei de fumar. Só carrego isso comigo para me testar, pois parar sem ter a droga é muito fácil, o difícil é parar tendo ela à disposição. Aí sim tem valor”.

Como nenhum pai quer acreditar que o filho está usando drogas, então existe uma grande tendência a acreditar nessas racionalizações expostas pelo filho. Isto já começa a mostrar a base do processo de adoecimento em direção aos problemas com drogas: a manipulação do filho, característica da dependência química, e a negação dos pais, característica da codependência.

MAS O QUE FAZER?

Alguns pais tentam entrar na discussão com o filho sobre a maconha, para convencê-lo de que fumar é prejudicial, mas esse não é um caminho produtivo. Provavelmente perderão a discussão, pois uma das ocupações dos usuários é buscar argumentos a favor da erva e, quando virem os pais sem saber o que dizer, vão reforçar sua sensação de que estão com a razão e que fumar não dá nada mesmo.

Tanto a prevenção quanto o tratamento da dependência de drogas na família se baseia em dois eixos do relacionamento entre os pais e os filhos: proximidade afetiva e limites bem estabelecidos.

Se existe a proximidade afetiva, então o desafio é estabelecer limites. Se existem limites, então o desafio é a aproximação com o filho.

A questão da proximidade afetiva é algo mais subjetivo e complexo. Os pais precisam ter condições emocionais de criar essa aproximação. Normalmente o primeiro desafio dos pais nesse sentido é ajeitar a própria vida, definir objetivos individuais, cuidar de seu relacionamento conjugal, ter momentos para si mesmos, entre outros. Sem uma mudança em si mesmo é muito difícil que os pais consigam mudar a forma de se relacionar com os filhos.

Existindo essa proximidade, o desafio é o estabelecimento de limites.

Primeiro, é bom que o usuário encontre os limites na família, uma vez que os problemas com drogas se instalam na ausência de limites. Quando eles não aparecem na família, conforme evolui o consumo, o sujeito vai se deparar com os limites legais ou com os do seu próprio corpo. Claude Olievenstein, psiquiatra francês referência na área, afirma que uma das condições para o desenvolvimento da dependência de drogas é o estabelecimento de uma relação com a transgressão de limites. Por isso a importância de a família estabelecer limites que o filho não consiga transgredir.

Primeiro, o limite ideológico de os pais expressarem com todas as palavras que desaprovam o consumo e que não há espaço para uso de drogas na família. Sem discussões sobre a droga e seus prejuízos.  É uma questão de reforçar a existência dos valores familiares.

Depois, limites práticos e concretos. O filho precisa entender a gravidade da sua atitude perante a família e sentir as consequências de quebrar a confiança dos pais. E isso só é possível quando existe hierarquia na família. É muito comum famílias em que surge o uso de drogas e que os filhos mandam mais em casa do que os pais.  Nesse contexto é impossível o estabelecimento de qualquer limite. É preciso primeiro modificar as relações hierárquicas da casa.

Em uma das palestras que ministrei para pais, ouvi um bom exemplo de como colocar limites no filho adolescente, e como esses limites promoveram a mudança de comportamento do filho. Claro que cada caso é um caso, mas é bom ter em mente algumas referências que funcionaram.

ATÉ QUANDO REFORÇAR OS LIMITES?

A liberdade sempre deve andar junto com a responsabilidade. Quanto mais responsabilidade o filho demonstrar mais autonomia ele deve ter. Quanto menos responsabilidade ele demonstrar, mais apertados devem ser os limites dados a ele, até a confiança ser retomada.

Uma estratégia bastante uilizada nesse processo de reconquista da confiança dos pais são exames toxicológicos, que podem servir como um critério objetivo para dar um pouco mais de segurança quanto à mudança de comportamento do filho. Nem sempre é a estratégia mais produtiva, mas é uma possibilidade a ser considerada.

As mudanças nunca são imediatas e é importante ter em mente que é um processo a ser percorrido. Não é de um dia para o outro. E não existe uma fórmula mágica a ser aplicada, apenas princípios a serem considerados. O acompanhamento de um profissional sempre é recomendável nesses casos em que normalmente está em jogo muito mais do que apenas a questão das drogas.

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